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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Os caminhos de um samurai

Um samurai ashigaru daisho

Desde há muito tempo existe um provérbio que diz: “sacerdote e samurai” e quando se pensa um pouco sobre o porque disso, percebe-se a semelhança entre um e outro. No Zen budismo, por exemplo, os títulos de zasu e shuso são atribuídos ao sacerdote comum, assim como baixos cargos são dados ao samurai comum. Depois, assim como sacerdotes recebem o título de tenrio e seido, guerreiros recebem o título de metsuke, tsukaiyaku, kumigashira ou kachigashira. Finalmente, emborao própio sacerdote ainda seja o mesmo, quando ele usa traje colorido, porta o símbolo de sua seita e leciona para um grande número de sacerdotes, ele é chamado de um choro ou osho. Entre guerreiros, o homem que recebe bandeiras, armaduras, e um cetro de comando e que estabelece a ordem de batalha e dirige as tropas é chamado de samurai daisho, um ashigaru daisho, ou um dos seis bugyo militares. Quando consideradas desse modo, existe uma semelhança entre as organizações do Budismo e a do guerreiro, e assim nós temos o provérbio “sacerdote e samurai”. Entretanto, quando abordamos disciplina nos estudos, podemos pensar que a disciplina dos guerreiros no treinamento é muito inferior à dos sacerdotes.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Mokuso; contemplação

Samurai em seiza, meditando.

Em varios dojo, essa palavra é gritada como um bramido de guerra. Ela é dita dus vezes, no inicio de uma sessão de pratica e novament no fim, sempre depois que os alunos se alinharam e estão sentados em silêncio, em seiza. Para que eles entrem em posição, normalmente são dados outros comandos. “Yame” ou “Keiko osame” é dito quando a sessão termina.

 Narande significa “alinhem-se”. Seiretsu ou keiretsu são comandos para os alunos se alinharem de acordo com a graduação. Chakuza significa ficar de joelhos e assumir a posição sentada, seiza. Após estarem todos sentados, há um longo momento de acomodação até que os barulhos e o som da respiração agitada depois da prática cessam, seguido por um silêncio que é quebrado pelo grito que parece penetrar diretament nos corpos que se encontram sentados.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Quando um homem sente a morte como algo distante

Quando um homem sente a morte como algo distante, que a sua estada neste mundo será longa, fica obcecado por diferentes ambições e profunda avareza. Cobiçando as coisas alheias e tendo demasiado apego às suas, ele irá desenvolver as disposições de um mercador ou fazendeiro. Quando a morte é sempre mantida no pensamento e este mundo é visto em sua insignificância, a cobiça irá diminuir naturalmente no coração da pessoa, e os imundos sentimentos de avareza e egoísmo não irão intrometer-se tanto assim. Por isso se diz que até o caráter da pessoa irá melhorar.

Temos que manter a morte sempre à vista. Entretanto, havia um monge, Shinkai, mencionado no Tsurezuregusa de Yoshida Kenko, que constantemente se curvava e aguardava, pensando 24 horas por dia na sua hora final. Pois bem: embora seja sinal de austeridade no espírito de um monge pensar na morte, isso não está de acordo com a condição básica de um samurai. Aproximar-se da morte assim não seria bom, porque não se pode abandonar o caminho da lealdade para com o seu senhor e da piedade filial para com os pais, e se descuidar de suas obrigações como samurai. Dia e noite sem falhar, na medida em que alguém está envolvido com negócios públicos ou privados, logo que houver um momento de calma para o coração a pessoa deverá manter a morte em vista. Isso é o que importa. A tradição diz que Kusunoki Masashige instruiu seu filho, Masatsura, com as palavras: "Pense constantemente na morte".

sábado, 30 de novembro de 2019

O marco que forjou a lealdade em mim

Lealdade é ser fiel a um compromisso assumido. Esse é um dos princípios do código dos samurais e portanto deve ser praticado pelo samurai. Lembro-me de quando entrei pela primeira vez numa academia de artes marciais e me foi apresentado um quadro, posto na parede, logo próximo a porta do dojô, com um conjunto de regras que deveria ser respeitado por todos que estavam naquele ambiente, desde o faixa-branca até o faixa-preta.

Atenciosamente passei meus olhos por cada uma daquelas regras, palavra por palvra, entendendo seu significado e internalizando aquelas ideias em mim. Fui permitindo que aquele compromisso fosse sendo estabelecido, conforme eu ia lendo e me sentindo parte do que aquele dojô é. E depois de ler todas as regras, olhei no ambiente ao meu redor e vi meus colegas, observei seus olhos e vi como eles sem sequer me dizer nada, me diziam que a partir daquele momento eu estava aceito naquela irmandade.

Esse momento mágico marcou o significado de lealdade pra mim e hoje em todas as minhas relações busco respeitar esse preceito. Naturalmente ocorrem dilemas, momentos de conflito, mas em meus momentos de meditação reflito e penso sobre qual decisão tomar, levando em conta sempre o que aprendi naquele dia e no decorrer dos anos que sucederam minha trajetória no dojô. Hoje sei que lealdade além de ser fiel a um compromisso, significa ser fiel a um propósito.