domingo, 12 de janeiro de 2020

O corte silencioso e o espelho da lamina

Samurai deferindo o corte silencioso

Alguns samurais chamam de corte silencioso, outros chamam de espelho da lamina. O nome pode diferir mas o significado é o aspecto mais intrigante desta técnica. Basicamente consiste numa habilidade de deferir um golpe, sem que seu adversário perceba a ação sendo executada. Tanto pode ser por conta da velocidade do movimento como também pelo angulo que você o realiza. No primeiro caso atribui-se o nome de corte silencioso, por se tratar de um movimento tão rapido que o oponente nem sequer flagra o ruido do golpe.

Geralmente são ataques destinados as costas da mão, porque o proposito não é ceifar a vida e sim neutralizar as possibilidades do oponente combater. Veja que se trata de uma maneira altamente complexa de vencer seu adversário, não estou falando de uma técnica simples, estou falando de uma técnica que além da vitória, lhe possibilita vencer respeitando a quinta tradição; jin; que significa compaixão e benevolência.

Takashi Oda conhecido por ser um ronin cego, comumente era ignorado quando desafiava um samurai para um duelo. Entretanto, quando combatia, vencia seus adversários usando a técnica de corte silencioso e sem precisar cortar a cabeça dos seus oponentes, abandonava-os em campo de batalha, em completo estado de perplexidade, diante do feito que ele realizara. Nenhum dos seus adversários, dos quais desconheciam sua fama, imaginavam que um homem cego fosse capaz de lhes cortar as mãos, de modo que jamais eles pudessem voltar a segurar uma espada.

O espelho da lamina, uma pequena variação do corte silencioso, se tratava também de um golpe muito veloz, mas sua principal característica era o angulo de ação do corte que se dava justamente de maneira que a vitima não enxergasse o que estava acontecendo. Geralmente acontecia quando os samurais executavam uma técnica de tai-sabaki (deslocamento), em circulo e durante a trajetória a lamina decepava os dedos do adversário. O ponto chave dessa técnica, segundo os mais experiêntes, se dava através da observação do estado de conservação da tsuba(um disco de ferro, que ficava na base da lamina e servia para proteger as mãos).

Ambas as técnicas são de alta complexidade, embasadas no compromisso moral dos samurais e de grande valor para o estudo do samurai moderno. Hoje ensino ambas as técnicas para lutadores como estratégia de raciocínio para o combate corpo a corpo. Para que eles utilizem esses conceitos durante o combate esportivo e vençam seus adversários, sem que seja necessário agir de forma cruel.

A tranquilidade do samurai está em meio as intempéres

Samurai esperando

Em meio ao turbilhão de coisas que acontecem no combate, existem iatos, pequenos espaços de tempo de tranquilidade onde o guerreiro se sente relativamente bem. E se ele possuir força interior, aproveitará a pausa para se fortalecer para o proximo combate. Sem se deixar dominar pelo medo ou pela incerteza do futuro. Estes mesmos momentos acontecem na vida e são a chave para as maravilhas. Aproveitar esses pequenos momentos de tranquilidade faz muito bem as pessoas. Pois a vida de ninguém é 100% estável, todos nós sofremos oscilações, de humor, de saúde, no relacionamento, na vida financeira, em tudo. E entender que as oscilações fazem parte da vida mas que não tiram seu brilho é despertar o estado de consciência que o samurai deve cultivar dentro de si.

O samurai compreende que as tribulações não são obstáculos, são alterações no percurso. E que embora o percurso sofra alterações, você nunca sairá do caminho, porque o caminho está dentro de você, enraizado, em cada parte do seu cérebro, em cada comunicação sinaptica, em cada terminação nervosa que se estende pelo seu corpo, em cada pulsação cardiaca. Porque o caminho é o próprio código. A porta para as maravilha se abre quando você se permite desfrutar da tranquilidade destes pequenos momentos, onde você pode verificar a alegria do trabalho que já foi construído, até que você chegue ao término da tarefa. O samurai sábio alcança os frutos e sabendo cessar, não ousa conquistar com força. É necessário reprimir a arrogância, porque no ápice da rigidez, as coisas definham.

Existem guerreiros que reclamam o tempo todo, enxergam o sofrimento e so veem a dor da existência. Aprisionam-se no circulo das sombras e permitem que seus olhos sejam entenebrecidos, só enxergando a angustia de não ter o que querem. Veja, desta maneira é impossível conquistar qualquer tipo de estado de serenidade, porque não se trata de uma busca por estabilidade, o caminho é equilibrar-se em meio a volatilidade. Como um equilibrista que transitando sobre um fita elastica, ainda que sofra ação do vento no sentindo do seu desequilibrio, ele entende que o vento faz parte da natureza e sua ação não é má, muito pelo contrário, o vento lhe possibilita parar e reorganizar-se na fita, as vezes até ter aquele milesimo de segundo para contemplar até onde ele já chegou na sua trajetória, enquanto ele se equilibra e segue. Mas observe que o momento em que ele se equilibra e percebe que não cai, ele então se alegra. É justamente sobre esse ponto que estamos tratando, o fruto da espera, a tranquilidade, em meio a todas as dificuldades e dilemas existenciais.

Tudo isso eu escrevo, com o objetivo de simplificar para você, caro discipulo, leitor, algo de grande valia e que você conhece mas tem aprendido a utilizar conscientemente. Veja, as vezes o perigo está longe, mas as vezes ele está perto e de ambos os modos sua intuição lhe comunica. As vezes você da atenção e as vezes não, e quanto mais você fica envolvido com as angustias existenciais, seu problemas, suas aflições, a voz que lhe chama atenção ecoa cada vez mais fraco dentro de você. E quando o perigo se aproxima, o fato de você não enxerga-lo prejudica todas as suas relações porque isso lhe stressa e nessa época cresce facilmente uma intranquilidade geral. Você acaba culpando outras pessoas por seus erros e desanda o fluxo natural da sua própria vida. Uma situação tão desfavorável atrai os inimigos do exterior, que naturalmente aproveitam-se disso.

É por isso que é tão importante aproveitar os pequenos momentos de tranquilidade, pois são nesses momentos que você consegue se alegrar e na alegria é que nasce a serenidade. E na serenidade habita a sabedoria para que sejam tomadas suas decisões. Guarde esse ensinamento guerreiro, escrevo com amor. Desejo que você seja vitorioso se o seu propósito for o bem comum, paz.

sábado, 11 de janeiro de 2020

A diversidade das habilidades de combate e a criatividade samurai


Treinamento sozinho
A criatividade dos samurais foi uma das habilidades que perpetuou o feito desta classe. Porque eles se empenharam em desenvolver técnicas de corte reverso, semi-circulares e golpes combinados, que fugiam dos padrões tradicionais de luta. Eles eram homens dedicados ao treinamento diário, evitavam confusões e estavam constantemente vivendo em paz cada momento da sua vida.

Entretanto, atualmente, tenho visto muitos guerreiros que praticam artes marciais sendo formatados técnicamente. Sendo ensinados a não criar novos glpes e não explorar sua criatividade marcial. Os instrutores alegam que os alunos não devem inventar, não devem fazer golpes novos, misturar sistemas de luta porque eles acreditam que essas pessoas não são capazes de discernir os padrões técnicos de um sistema de combate.

Eu até concordo com parte desse raciocínio, mas não apoio a castração da inventividade do aluno. O samurai moderno deve olhar para o passado, porque o passado tem muito a nos ensinar. E de acordo com a tradição dos guerreiros antigos, é fundamental que o samurai moderno dedique um periodo à chamada pratica livre. Pois é na pratica livre que ele experimenta, tenta, elabora e cria.

Quando se trata de um guerreiro que treina suas habilidades marciais com a finalidade profissionalmente esportiva, o que ele deve fazer é criar, mas antes de utilizar no combate no ambito esportivo, apresentar sua descoberta ao seu sensei, porque através de um dialogo, respeitando os padrões técnicos daquela modalidade, eles poderão aproveitar o que foi descoberto, as vezes fazendo adequações, ou apenas utilizando parte do movimento.

Todos os samurais tinham métodos secretos, cartas na manga, por isso eles se tornaram guerreiros mundialmente conhecidos. Porque pensavam diferente e agiam diferente. É isso que lhe torna diferenciado. Vou lhes contar um dos métodos secretos; antes de sair para uma missão importante os samurais molhavam a ponta dos dedos com saliva e passavam atrás dos lobulos das orelhas, respiravam profundamente, puxavam e rompiam um objeto com suas mãos. Talvez você não conhecesse essas técnicas, que inclusive podem lhe parecer estranhas. Mas para eles produzia um efeito positivo, como a sensação de alivio, quando estavam sob forte pressão e seu sangue aumentava a circulação, antes que sentissem dores de cabeça, eles molhavam os dedos e passavam nos lobulos das orelhas.

Se você acha que isso surgiu do nada, esqueça. Esses métodos foram criados, experimentados e transmitidos entre gerações. Conforme foram sendo transmitidos, novos também foram sendo criados, cada um com sua finalidade, provocando algum tipo de sensação aliviadora ou motivacional. E ao seu modo, cada guerreiro se preparava para batalha. Haviam samurais que antes de lutar fechavam as mãos e batiam sobre o proprio corpo, num ritimo leve e cadenciado, começando pelas pernas, subindo pelas coxas, quadris, abdomen, braços e com as palmas das mãos sobre os rostos. Estimulando o fluxo sanguíneo por entre o corpo e acionando o estado de alerta da mente Zanshin... veja são muitas técnicas...e elas não estão agrupadas numa formatação limitante. Embora o contexto do passado seja distinto do atual, não permita que isso restrinja sua forma de pensar, o treinamento vai além...

O samurai conhecendo o mundo

Samurai contemplando

O samurai é um guerreiro que planta o bem. Porque quem planta o bem não se desenraiza, não perverte o código. Quem abraça o bem não se extravia da missão. E todo samurai tem uma missão, de viver com honra e servir ao propósito do seu clã com dignidade. É por isso que os filhos e os netos de um samurai cultuam seus ancestrais, porque eles sentem orgulho dos seus antepassados.

Mas para plantar o bem o samurai deve ser uma pessoa cuidadosa, não pode ser alguem descuidado. Porque é no descuido que mora a fraqueza, o guerreiro que se descuida deixa brechas para todo tipo de mal, começando por si mesmo. O samurai que não se cuida adoece, o samurai que não cuida das suas finanças empobrece, o samurai que não cuida do seu intelecto se torna burro e permanece ignorante.


O samurai deve cuidar de si, porque cultivando a si mesmo sua virtude será verdadeira. Ele transmitirá conhecimentos de valor, verdadeiros e experimentados. Cultivando sua família, sua virtude será fecunda. Cultivando sua comunidade, sua virtude será duradoura. Cultivando o reino, sua virtude será venturosa. Cultivando o mundo, sua virtude será universal.

Portanto, o samurai deve contemplar os outros por meio de si mesmo, encontrando em si, o valor que deve ser atribuido ao outro. Isso se chama dignidade. O nobre samurai também deve contemplar as outras famílias, por meio da sua própria família. Contemplar outras comunidades por meio da sua própria comunidade. Contemplar os reinos através do seu reino. Porque através da contemplação o samurai descobre o valor das coisas e o significado de cada uma delas. Ele existe e se posiciona como ser e por meio dessa pratica ele conhece a vida.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O samurai inteligente se antecede

Samurai se antecedendo

A linguagem militar emprega os termos de “samurai sábio” e de “samurai ignorante”. Um samurai que esperou ter que enfrentar situações difíceis para aprender a sair dela não é sábio. Um samurai que se preocupa adiantadamente com todas as situações e soluções possíveis possui grande sabedoria; ele será portanto, capaz de fazer frente de maneira brilhante a todas as dificuldades, quando a ocasião se apresentar. Não importa o que ocorra, um samurai inteligente é aquele que se preocupa com todos os detalhes da ação, antes da hora.

Um samurai imprudente, ao contrário, nos dá a penosa impressão de arrastar-se em meio a uma grande confusão e seu êxito só provém de uma sorte extraordinária. Somente um samurai negligente não considera todas as eventualidades antes do momento da ação.

Como diz o provérbio: “O peixe não vive na águal clara”. São nas aguas mais profundas, onda as algas habitam que o samurai se desenvolve plenamente. É quando um homem vai além dos detalhes e não se preocupa com as queixas menores que ele é capaz de se manter sereno. A compreensão e o exercício desse princípio são essenciais para quem quer compreender o caráter do código.

Lembo-me de meu sensei dizendo sobre quando o senhor Mitsushige era apenas um menino e pediram-lhe para ler uma passagem de um livro do monge Kaion: ele chamou os meninos e os ascólitos para dizer-lhes: “Peço-lhes para aproximar-se e escutar. É muito dificil per quando não há quase ninguém para escutar.” O monge ficou impressionado e disse aos fieis: É com esse espírito que é preciso fazer todas as coisas”. Por isso que o samurai sábio não guarda para si suas experiências, ele as partilha.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Preparação para o treinamento marcial


Hidari-ai-hanmi
Antes de iniciar o treinamento com um parceiro, precisamos ter um conhecimento básico dos conceitos e da terminologia das artes marciais. Eis a seguir os fundamentos do treinamento das artes marciais, de acordo com tradições orientais. Nas artes marciais é preciso assumir o posicionamento correto, do ponto de vista físico, mental e espiritual pois quando enfrentamos um oponente, devemos assumir uma atitude defensiva, adontando uma postura oblíqua.

Uma postura oblíqua, de meio corpo, chama-se hanmi e pode ser feita de duas formas. Quando seu pé esquerdo está à frente, isso é chamado hidari-hanmi, porque esquerda significa hidari. E quando seu pé direito está à frente isso é chamado de migi-hanmi. Entretanto, quando o tori, que é o lutador que executa a técnica está com o pé direito a frente e o uke, que é o lutador que executa a defesa, está com o pé esquerdo a frente chamamos isso de migi-gyaku que significa direita reversa e no caso oposto chamamos de hidari-gyaku hanmi. E quando ambos os lutadores tem o mesmo pé a frente chamamos de migi-ai (direito igual) hanmi e hidari-ai (esquerdo igual) hanmi.

Posicionamento com espadas

É a partir dessa simples organização das pernas que surgem todas as demais variações de técnicas de base. Pois uma vez que você esteja posicionado de lado a área do seu corpo diminui e consequentemente seu oponente terá mais dificuldade para lhe acertar. Além disso você tem a possibilidade de esquivar dos golpes dele e aplicar alavancas para derruba-lo ou imobiliza-lo. Tudo depende de quais oportunidades surgirão a você e como você administra demais questões como o distanciamento entre os corpos e o campo de visão.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

As tradições nunca se perderão


As tradições jamais se perderão no tempo e é por isso que eu escrevo, compartilho aqui a filosofia marcial e ajudo você a encontrar o caminho do guerreiro. Infelizmente, os homens se seduzem pelos prazeres da vida e vivem dia após dia, conquista após conquista, com a sede insaciavel de querer mais. Não falo sobre uma sede saúdavel de desenvolvimento, mas uma sede de consumismo.

Essa carência que nunca é suprida é sinal de uma falha grave no seu treinamento. Tudo isso por conta da má compreensão da relação entre professor e aluno. Porque aqui no ocidente, as pessoas entendem que o fato de pagar uma mensalidade, lhes da o direito de receber o ensinamento, como se a aula fosse um serviço comercializado, sendo que não é.

Budo é o caminho do guerreiro, o conjunto de artes marciais e filosofia marcial, que norteia o guerreiro de forma honrosa na sua trajetória em vida. Ensinar o Budo é uma vocação, sagrada, que confirma-se no sensei, sem que ninguém lhe diga. Ele mesmo escuta uma voz na sua interioridade que lhe diz que aquele é o seu caminho, por isso que ele faz com amor, independentemente do dinheiro e do reconhecimento.

Embora o aluno saiba disso e ao longo da sua jornada de convivio com seu professor ele va demonstrando seu respeito e sua reverência, o apego ao dinheiro faz com que muitas vezes ele não ultrapasse uma das barreiras mais importantes que é o despreendimento dos desejos. Pois o desejo é a raiz da confusão, do sofrimento e do egoismo. É o desejo de vencer que cega o aprendizado na derrota do combate.

Muitos demoram a vida inteira para compreender isso, outros nunca compreendem, mas você pode compreender e mudar sua maneira de viver. Ainda existem pessoas que pagam sua mensalidade com mesquinharia, presas ao dinheiro, dando com uma mão, mas querendo pegar de volta com a outra. Pobres almas, ainda estão engatinhando na compreensão do caminho.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Três nobres ensinamentos dos samurais


Já ancião, Tetsuzan fez a seguinte reflexão; “Eu tinha tendência para pensar que o combate apena com as mãos diferia do Sumô, devido ao fato de que não tinha importância ser atirado ao chão no começo, já que o essencial era ganhar o combate. Recentemente mudei meu ponto de vista. Ocorreu-me que, se um juiz tomava a decisão de parar o combate no momento em que um dos combatentes se encontrasse no chão, ele o declararia vencido. É preciso ganhar desde o princípio, para sair vitorioso sempre.

Há também o que se chama de atitude durante a tormenta. Quando alguem é surpreendido por uma tempestade repentina, ele pode correr o mais depressa possível ou então colocar-se rapidamente sob as telhas das casas que estão a beira do caminho; de qualquer modo vai molhar-se bastante. Se ele já estivesse preparado mentalmente para se molhar, não ficaria afinal nem um pouco contrariado com a chuva. Esse princípio pode ser aplicado com proveito a todas as situações.

E também o que se diz sobre a importância de animar um amigo. Quando se visita um samurai golpeado pela desgraça, aquilo que se diz a fim de deixa-lo animado é da maior importância. De fato, ele é capaz de distinguir através de nossas palavras os verdadeiros motivos que impulsionam seu interlocutor. Para animar um amigo em dificuldades o segredo a ser revelado é o seguinte; um verdadeiro samurai não deve ostentar-se nem perder a confiança. Deve sempre ir adiante, caso contrário não avançará e será totalmente inútil.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Japão na epoca de Musashi


Miyamoto Musashi nasceu em 1584, enquanto o Japão ainda lutava para se recuperar de mais de quatro séculos de comoções internas. O governo tradicional dos imperadores havia sido derrubado no século doze, e, embora os novos imperadores continuassem como símbolos do próprio Japão, seu poder era quase nenhum. Desde aquela época, o Japão vinha sendo palco de uma guerra civil ininterrupta entre os senhores provinciais, monges guerreiros e salteadores, uns combatendo os outros em busca de mais terra e poder. Nos séculos quinze e dezesseis, os senhores provinciais, chamados de daimyo, fizeram construir imensos castelos para se protegerem e às suas terras, e logo começaram a surgir em sua volta as primeiras cidades.

Entretanto, em 1573 um homem chamado Oda Nobunaga assumiu a dianteira e tomou as rédeas do país. Ele se tornou o Shogun, ou ditador militar, e por nove anos conseguiu trazer para seu domínio quase todo o Japão. Quando Nobunaga foi assassinado, em 1582, um plebeu ascendeu ao governo. Toyotomi Hideyoshi prosseguiu o trabalho de unificação do país iniciado por Nobunaga, reprimindo impiedosamente todas as ameaças de insurreição. Ele fez reviver a velha separação entre os guerreiros – ou samurais – e os plebeus, impondo barreiras ao uso de espadas. A “caça às espadas de Hideyoshi”, como passou a ser conhecida, implicou que apenas os samurais tinham permissão para usar duas espadas: a espada curta, que todos poderiam usar, e a espada longa, que distinguia os samurais do restante da população.

Embora Hideyoshi tenha feito muito para unificar o Japão e aumentar o comércio com outros países, quando de sua morte, em 1598, as lutas internas ainda não tinham sido eliminadas de todo. O verdadeiro isolamento e a unificação do Japão começaram com o grande Tokugawa Ieyasu, antigo companheiro tanto de Hideyoshi quanto de Nobunaga. Em 1603, Tokugawa tornou-se formalmente Shogun do Japão, depois de derrotar Hideyori, filho de Hideyoshi, na batalha de Seki ga Hara.

Tokugawa estabeleceu seu governo em Edo, onde hoje é Tóquio, local onde era dono de um imenso castelo. Seu período de governo foi estável e pacífico, dando início a uma era da História japonesa que se prolongou até a restauração imperial de 1868, pois embora Ieyasu tivesse falecido em 1616, os membros de sua família se sucederam no comando da nação e o título de Shogun se tornou praticamente hereditário para os Tokugawa.

Os cinco estados mentais do samurai



• Shoshin: (初心) Mente de principiante
• Zanshin: (残心) Mente que permanece
• Mushin: (无心)  Não Mente
• Fudoshin: (不动心) Mente Imóvel
• Senshin: (先心) Espírito Purificado; atitude iluminada


Existem 5 mentes fundamentais ou espíritos do budo; shoshin, zanshin, Mushin,  fudoshin e Senshin. Estes conceitos muito antigos são ignorados no dojo aikido moderno. Budoka O que leva um tempo para compreender as lições destes 5 espíritos em seu coração amadurecerá para se tornar um artista marcial e competentes forte e ser humano. O aluno que não tomar o tempo para conhecer e abraçar estes espíritos sempre vai faltar na sua formação.

Shoshin
O estado de shoshin é que de uma mente iniciantes. É um estado de consciência que permanece sempre completamente consciente, atento e preparado para ver coisas pela primeira vez. A atitude de shoshin é essencial para um aprendizado contínuo. O-Sensei uma vez disse "Não esperem de mim para ensiná-lo. Você deve roubar as técnicas de si mesmos." O aluno deve desempenhar um papel activo em todas as classes, vendo com uma menteshoshin, a fim de roubar o dia de aula cada.

Zanshin
O espírito de Zanshin é o estado dos restantes ou remanescentes do espírito. Muitas vezes, é descrito como um contínuo e elevado estado de consciência mental e acompanhamento. No entanto, é verdade z Anshin é um estado de foco ou concentração antes, durante e depois a execução de uma técnica, onde uma ligação ou conexão entre o uke eo nage é mantida. Zanshin é o estado de espírito que nos permite permanecer espiritualmente conectados, não apenas para um único atacante, mas a múltiplos atacantes e mesmo todo um contexto, uma espaço, um tempo, um evento.

Mushin
O manual ASU, define mushin ser "Nenhuma mente, uma mente sem ego. Uma mente como um espelho que reflete e não julga." O termo original era "mushin no shin", que significa "mente da não mente." É é um estado de espírito, sem medo, raiva ou ansiedade. Mushin é frequentemente descrito pela frase, mizu "no kokoro", que significa "mente como água". A frase é uma metáfora que descreve o lago que reflete claramente a sua envolvente, quando calma, mas cujas imagens são obscurecidas quando uma pedra cair em suas águas.

Fudoshin
Uma mente e um inabalável espírito de imóveis é o estado de fudoshin. É a coragem ea estabilidade demonstradas mentalmente e fisicamente. Invés de indicar rigidez, inflexibilidade, fudoshin descreve uma condição que não é facilmente transtornada por pensamentos internos ou por forças externas. Ele é capaz de receber um ataque forte e manter a compostura e equilíbrio. Recebe e devolve com leveza, motivos para a terra, e reflete a agressão de volta para a fonte.

Senshin
Senshin é um espírito que transcende os quatro primeiros estados de espírito. É um espírito que protege e se harmoniza com o universo. Senshin é um espírito de compaixão que abraça e serve a toda a humanidade e cuja função é a de conciliar a discórdia no mundo. Ela comporta todos os que a vida seja sagrada. É a mente de Buda e-Sensei percepção O da função de aikido.
Totalmente Senshin abraçando é essencialmente equivalente para se tornar iluminado e pode ultrapassar o âmbito da formação aikido diariamente. No entanto, os primeiros quatro espíritos são provavelmente atingíveis para qualquer aluno sério através da conscientização e treinamento duro. Abraçar estes estados da mente pode premiar o aluno em inúmeras maneiras.

Como se comporta a força e fraqueza diante do perigo


Todos os seres necessitam do alimento que vem do alto. Porém a doação do alimento tem seu tempo próprio, a luz vem sobre o entendimento de cada lutador num tempo específico, que difere de cada um, cada um tem seu tempo e por ele se deve esperar. Os escritos antigos mostram nuvens do ceu trazendo a chuva para alegia de tudo o que cresce e provendo a humanidade com comida e bebida. A chuva virá em seu tempo proprio. Não se pode força-la deve-se esperá-la. A idéia de espera e também sugerida pelos atributos que se complementam: a força no interior e diante dela, o perigo. A força diante do perigo não se precipita, mas no contrário, é capaz de esperar. A fraqueza diante do perigo torna-se inquieta, e não tem paciência para a espera.

A espera não é uma esperança vazia, possui a certeza interior de alcançar o seu objetivo. Só essa certeza confere a luz a única que conduz ao sucesso. Isso leva a perseverança que traz a conquista e provê a força para atravessar as grandes dificuldades, como uma torrente de agua, como um turbilhão de problemas ou como um grande adversário entende...Alguém se encontra diante de um perigo que deve ser superado, com fraqueza e impaciência não conseguirão nada. Só o forte interiormente pode enfrentar seu destino, pois graças a sua segurança interior ele á capaz de resistir. Essa força manifesta-se através de uma incorruptivel veracidade para consigo mesmo. Só quando se é capaz de ver as coisas diretamente, tais como são na realidade, sem se deixar enganar nem iludir, é que surge uma luz que permite reconhecer o caminho para a vitória. A este reconhecimento deve seguir-se uma atuação resoluta e perseverante, pois só quem enfrenta seu destino de modo decidido o realizará. Assim, se poderá atravessar o que os antigos chamam de a grande agua, isto é, tomar uma decisão e vencer o perigo.

domingo, 29 de dezembro de 2019

origem do karate de okinawa


A india, até onde se sabe, é o local de origem das artes marciais orientais. No século VI d.C, um monge budista chamado Bodhidharma, que tinha recebido também treinamento marcial, viajou inicialmente para a China a convite do imperador interessado nessa religião e posteriormente, acabou levando seus conhecimentos ao etmplo Shaolin. Esses ensinamentos deram origem ao estilo de luta conhecido como Shaolin Kung Fu, que ajudou os monges a se protegerem dos constantes ataques de bandidos nômades, em conjunto com o Chi Kung, que era também usado como treinamento para se atingir a plenitude espiritual, além de ser um método para o desenvolvimento da saúde e da longevidade. A partir daí, outros estilos de artes marciais foram surgindo de acordo com a expansão desses conhecimentos pelo país, frutos de situações históricas, como o Tai Chi Chuan.


Séculos mais tarde, Okinawa, então parte do território da China, estava numa época, sob dominação politica chinesa. Lá começou a florescer o combate sem armas por meio da prática secreta, em consequência da proibição, promovida pelo imperador japonês, do iuso de armas da religião. Surgiu então a palavra escrita Tode(mãos da China), que pode ser lida também como Karate, para denominar uma nova arte marcial que surgiu.

Podemos portanto, afirmar que o karatê é uma arte marcial japonesa que se desenvolveu a partir de uma arte marcial autoctone de Okinawa para que o praticante conseguisse se tornar muito poderoso em termos de enfrentamentos físicos, para poder enfrentar perigos sem arma, tendo sido criado a partir de forte influência das artes marciais chinesas e ds diversas modalidades tradicionais japonesas existentes na época.

A arte da critica


Repreender e corrigir alguem por seus erros é importante: esse ato, essencialmente de caridade, é a primeira obrigação do samurai; porém, é preciso esforçar-se a fim de fazê-lo da maneira adequada. Porque de fato é facil encontrar qualidades e defeitos na conduta do próximo; também é muito fácil critica-lo. A maioria das pessoas pensa que é por gentileza que elas dizem às outras pessoas aquilo que essas pessoas não querem ouvir; e se alguma vez suas críticas são mal recebidas, pensam que aquelas pessoas são incuráveis. Esse modo de pensar não é razoável; ele te dá maus resultados quanto aos de colocar alguém numa situação embaraçosa ou então sermos insultados por alguém; muitas vezes isso é apenas um modo de retirar o que nos pesa no coração.

A critica só deve ocorrer depois de se ter discernido se a pessoa é capaz de aceitá-la ou não; depois que nos fizemos amigos dela, compartilhamos seus interesses e nos comportamos de tal modo que lhe inspiramos inteira confiança em nossas palavras; o tato deve estar presente, portanto. É preciso reconhecer o momento certo e a maneira certa de fazer a crítica - por mensagem ou ao retornar de uma reunião especialmetne agradável. É preciso começar comentando suas prórpias falhas e logo em seguida levar seu interlocutor a compreender, pronunciando apenas as palavras necessárias. É preciso elogiar os méritos do interlocutor, esforçar-se para deixa-lo animado e bem humorado, torna-lo tão receptivo ás observações quanto um homem com sede deseja água; é esse momento para corrigir seus erros. A crítica construtiva é delicada; eu sei por experiência que costumes maus e antigos não se afastam senão à força. Parece-me que a atitude mais verdadeiramente caridosa consiste, para todos os samurais a serviço de um mesmo daimyo(mestre), em ser benevolentes e amistosos uns com os outros; corrigir reciprocamente seus erros a fim de servir logo ao senhor. Quando se coloca alguém voluntariamente numa situação embaraçosa, não se faz nada de construtivo; como poderia ser de outro modo?