quarta-feira, 13 de maio de 2020

Quem foram os Peichins?


Peichins sentados em trajes formais
Peichin é o termo que designa uma classe de nobres oficiais do vetusto reino de Ryukyu, atualmente o concelho nipônico de Okinawa. O prestígio social dos peichin equivalia à classe dos samurais. Essa similitude aprofundou-se mais e mais, principalmente após a formal anexação do arquipélago ao império japonês.

As Ilhas Ryukyu (琉球諸島 Ryūkyū-shotō), também conhecidas como Ilhas Nansei (南西諸島 Nansei-shotō, lit. "Ilhas do Sudoeste") ou Ilhas Léquias em português, são uma cadeia de ilhas japonesas que se estendem a sudoeste de Kyushu até Taiwan: as Ilhas Ōsumi, Tokara, Amami, Okinawa e Sakishima (divididas em Miyako e Yaeyama), com Yonaguni no extremo oeste. As maiores são geralmente ilhas elevadas e as menores são normalmente de coral. A maior é a ilha de Okinawa.


Arakaki Seisho um dos Peichins mais conhecidos:

Arakaki Seishõ

Arakaki Seishō (1840 - 1918) foi um proeminente mestre de artes marciais okinawan que influenciou o desenvolvimento de vários estilos de karatê.  Ele era conhecido por muitos outros nomes, incluindo Aragaki Tsuji Pechin Seisho.

Arakaki nasceu em Kumemura, na Ilha Okinawa, ou na ilha vizinha de Sesoko. Ele era um oficial na corte real de Ryūkyū, e como tal detinha o título de Chikudon Peichin. Em 24 de março de 1867, ele demonstrou artes marciais okinawan em Shuri, então capital do Reino Ryūkyū, antes de um embaixador chinês visitante; este foi um evento notável, uma vez que especialistas como Ankō Asato, Ankō Itosu e Matsumura Sōkon ainda estavam ativos na época. Arakaki serviu como intérprete de língua chinesa, e viajou para Pequim em setembro de 1870. Seu único instrutor de artes marciais gravado deste período foi Wai Xinxian de Fuzhou, uma cidade na província fujiana da Dinastia Qing china. Arakaki morreu em 1918.

Arakaki era famoso por ensinar os katas (padrões): Unshu, Seisan, Shihohai, Sōchin, Niseishi, e Sanchin (que mais tarde foram incorporados em diferentes estilos de karatê), e kata com armas: Arakaki-no-kun, Arakaki-no-sai, e Sesoku-no-kun.

Embora Arakaki não tenha desenvolvido estilos específicos, suas técnicas e katas são vistos em vários estilos modernos de karatê e kobudo. Seus alunos incluíram Higaonna Kanryō, fundadora da Naha-te; Chōjun Miyagi, fundador de Gōjū-ryū; Funakoshi Gichin, fundador da Shotokan; Uechi Kanbun, fundador da Uechi-ryū; Kanken Tōyama, fundador do Shūdōkan; Mabuni Kenwa, fundador da Shitō-ryū; e Chitose Tsuyoshi, fundador do Chitō-ryū. Alguns consideram Chitō-ryū o estilo mais próximo existente das artes marciais de Arakaki, enquanto outros notaram que os descendentes de Arakaki estão principalmente envolvidos com Gōjū-ryū.

quinta-feira, 26 de março de 2020

25 Filmes sobre Samurais



1. 47 RONINS, Diretor Carl Rinsch.
2. 13 ASSASSINS, Diretor: Takashi Miike.
3. SEVEN SAMURAI, Diretor: Akira Kurosawa.
4. ROURONI KENSHIN, Diretor: Keishi Ohtomo.
5. THE WOLWERINE,  Diretor: James Mangold.
6. THE LAST SAMURAI, Diretor: Edward Zwick.
7. THE TWILIGHT SAMURAI, Diretor: Yôji Yamada.
8. MIFUNE: THE LAST SAMURAI, Diretor: Steven Okazaki.
9. THRONE OF BLOOD, Diretor: Akira Kurosawa.
10. BLOODY SPEAR AT MOUNT FUJI, Diretor: Tomu Uchida.
11. SANJURO, Diretor: Akira Kurosawa.
12. RASHOMON, Diretor: Akira Kurosawa.
13.THE HIDDEN FORTRESS, Diretor: Akira Kurosawa.
14. YOJIMBO, Diretor: Akira Kurosawa.
15. 27 RONINS, Diretor: Kenji Mizoguchi.
16. SHIN HEIKE MONOGATARI, Diretor: Kenji Mizoguchi.
17. SHOGUN ASSASSIN, Diretor: Kenji Misumi, Robert Houston.
18. THE OUTLAW SAMURAI, Diretor: Hideo Gosha.
19. KAGEMUSHA. Diretor: Akira Kurosawa.
20. LOVE AND HONOR, Diretor. Yôji Yamada.
21. THE SWORD OF DOOM, Diretor: Kiachi Okamoto.
22. THE MEN WHO TREAD O THE TIGERS TAIL, Diretor: Akira Kurosawa.
23. UGETSU. Diretor: Kenji Mizoguchi.
24. THE TALE OF ZATOICHI, Diretor: Kenji Misumi.
25. SAMURAI REBELLIN, Diretor: Masaki Kobayashi.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Um gesto de respeito


Foi um acordo estabelecido entre os dois, por meio de um gesto, sem sequer dizerem uma só palavra. Apenas se curvaram e estabeleceram entre si, a partir daquele dia, um marco de respeito. De maneira que não mais decepariam suas cabeças, algo que parecia lhes ser o destino escolhido um para o outro, entretanto, por conta do que eles jamais imaginaram que poderia aconter, justamente ter acontecido, mudou-se totalmente o curso da história destes homens.

Hikaru era um homem de personalidade forte e tudo que ele avaliasse incoerente com o modelo de ordem social que ele havia concebido para si, era alvo da sua raiva e consequentemente tornava-se um inimigo, que de acordo com suas proprias palavras “deveria saborear o abraço gelado da morte”. Veja como um ideal pode entenebrecer o homem de maneira que ele julgue o comportamento alheio como digno de se viver ou de morrer.

Ao meu ver é como se o homem quisesse se portar como um deus, exercndo pleno dominio sobre o destino da pessoas, dando-lhes o que ele julgar que lhes é necessário, para que da sua meneira seja feita justiça. Essa é uma história antiga, mas ao mesmo tempo contemporanea, afinal, quantas vezes não vemos pessoas agindo assim na civilização moderna

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Shugyo, treinamento austero e intenso

Caligrafia Shugyo (treinamento intenso samurai)

Estou viajando o mundo com uma mochila nas costas, conhecendo pessoas, lugares, escutando histórias, passando dificuldades, fazendo amigos e explorando terras que eu nem sequer imaginava que existiam.

Tenho sido bem tratado, as vezes mau tratado. Algumas pessoas me olham estranho, outras sorriem. No percurso me apaixono e tambem tenho que dizer tchau. Ganho dinheiro ensinando as artes marciais que tenho formação. As vezes as pessoas me pagam com refeição, as vezes com acomodação, alguns me pagam com um sorriso, outros com um aperto de mão.

De tudo isso eu tiro lições e compartilho com vocês, pra que vocês também crescam e todos possam conquistar seus objetivos. Mas uma coisa especial que quero lhes dizer é que transitando por entre todos esses lugares, onde a cultura e a lingua diferem da minha, uma das coisas que me norteiam no trato com as demais pessoas é justamente a clareza do entendimento do codigo.

É atraves disso que eu consigo me portar com humildade quando sou humilhado, agir com coragem pra dormir na rua, polir bem minhas palavras pra nao magoar as pessoas e semear amor pra transmitir os ensinamentos das artes marciais.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

A escrita de Inoue


Samurai contemplando
A muito tempo atrás, ainda em Salvador (BA), no Brasil, quando eu ainda estava no gau iniciante da pratica marcial, especialmente nos intervalos das aulas que eu ajudava meu sensei, lembro-me de regularmente ver um dos seus hospedes na varanda do dojo escrevendo. Era um imigrante japones chamado Inoue que treinava judo conosco. Ele morava num dos comodos do dojo e todos os dias em torno das 17h, após fazer as tarefas que lhe eram competência, ele ficava na varanda de cima numa cadeira, escrevendo num caderninho.

Ele falava pouco portugues, mas todas as vezes que eu me sentava perto dele pra tomar um vento, ele parava de fazer o que estava fazendo, sorria e ficava aguardando eu inicar uma conversa. No inicio eu não sabia por que ele fazia isso, depois eu fui entendendo que se tratava de uma questão de respeito. E que embora ele estivesse anteriormente numa tarefa, o fato deu estar ali, fazia com que ele priorizasse minha companhia.

As vezes eu tirava duvidas sobre golpes, perguntava como ele fazia harai-goshi e uchi-mata, as vezes não falava nada. Haviam dias que eu pedia que ele falasse o que estava escrevendo e sobretudo nesse momento em especial, minha mente era transportada para lugares fantasticos. Não distantes da realidade, apenas a partir de uma ótica simplista, que verdadeiramente enxergava o valor das coisas, simplesmente como elas são.

Foi a partir deste encontro que eu passei a desenvolver o habito de escrever, sobretudo as 17h, quando eu passei a fazer exatamente o que ele fazia. Paro o que estou fazendo e me sento em frente a uma janela ou uma paisagem bonita, pego a caneta o papel e começo a escrever. Partilhando livremente o que experimentei na vida, trazendo pra vocês coisas que me edificam e que eu acredito que também possam edificar vocês, aproximando-os cada vez mais do código e consequentemente de uma vida pacifica e serena.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

O destino que o samurai da a todas as coisas


Samurai refletindo sobre o destino
É como li uma vez num dos meus estudos sobre o aikido, quando o autor disse que o guerreiro deve se portar no combate, como alguem que lida com o que lhe é dado destinando o que lhe veio a um fim pacifico. Como quando lhe é despejado sobre o colo uma mochila de problemas e serenamente você abre, examina e direciona cada um daqueles conflitos a um fim proveitoso.


A vida exige isso do lutador, digo isso fora do tatame, porque não da pra agir com a impetuosidade da disputa fisica diante das cirunstâncias existenciais. Ao meu ver são raros os momentos em que você pode agir assim, especialmente em se tratando de ocasiões que você precisa agir proativamente, como quando alguem esta em apuros e você tem que ter uma atitude que preserve aquela vida.

Hoje o que eu vejo é que o exercício da suavidade aperfeicoa a serenidade do lutador, porque é justamente durante a trajetória, que ele administra suas emoções e raciocina com clareza, o que é algo profundamente dificil, porque todos nós somos humanos e nem o lutador mais treinado consegue ter dominio sobre todas as suas emoções. Os mais antigos professores até dizem que a chave mestra pra compreensão dessas coisas esta justamente na maneira que você reconhece e se porta perante a sensação, fruto da emoção. Porque o domínio, em si, é limitante e o caminho é justamente a destinação.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

As sete horas de determinação de Yamamoto

Yamamoto em reflexao (imagem ilustrativa)

Segundo Yoshida foram quase sete horas seguidas em que Yamamoto ficou segurando a espada e praticando sequências de corte. Um feito notavel, ninguém havia se disposto a tal coisa, alguns até acreditavam que fosse loucura da parte dele, mas seu mestre sabia que isso lhe faria bem. É como todo desafio, as pessoas que estão de fora acham que é loucura, projetam sua ideia de incapacidade através de palavras para depreciar o outro, na tentativa de ve-lo falhando.

Mas essa foi uma demonstração clara de determinação e compartilho isso contigo para você ver o quão longe sua determinação pode te levar. Yamamoto ficou sozinho, praticando, cansado, teve duvidas varias vezes, sentiu medo, sentiu fome, mas o tempo todo ele conseguio lidar com essas sensações, sem perder o controle. Ele até relata que varias vezes pensou no que as pessoas disseram sobre ele, mas ele dizia que ele precisava fazer aquilo, ele dizia que ele sabia que iria conseguir, por mais dificil que fosse, ele acreditava que era capaz e por isso foi até o final.

Tenho notado que hoje é quase incomum ver uma pessoa determinada como Yamamoto, digo isso porque o objetivo dele era superar a si mesmo, o que muitas vezes não é o suficiente para que as pesssoas permaneçam focadas na tarefas que estão realizando, até conseguirem chegar onde desejam. Vejo que muitas pessoas fazem oque fazem por motivos externos a si, que não deixam de ser de valor, como quando alguem se sacrifica em prol de sua família. Só que no Budo, no caminho marcial, você descobre que além das responsabilidades que lhe motivam você deve encontrar dentro de si mesmo o agente motivacional do seu desenvolvimento, porque essa responsabilidade é sua e é justamente isso que lhe torna admiravel aos seus própros olhos.

Yamamoto foi para as montanhas, ele esteve entre arvores submetendo seu corpo além do que ele já havia suportado. Ele não fez isso por conta dos holofotes do podium ou pelos aplausos das arquibancadas. Ele fez o que fez porque tinha um compromisso consigo mesmo. E como você acha que ele retornou dessa experiencia; Pois é! Muito mais forte dentro de si mesmo. Ciente de que esse foi um degrau importante na sua trajetória como samurai, satisfeito por ter suportado, experiente nos ensinamentos que recebeu no dojo porque verdadeiramente pôs em pratica, alegre por ter tido sucesso, feliz meus discipulos, feliz consigo mesmo. Experimente se tornar quem você deseja, empenhe-se em conquistar seu objetivo, de o passo, tome a atitude.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Antes que eu lhe corte a cabeça

Samurai segurando uma cabeça fruto de um corte reto

É sobretudo uma questão de técnica, a forma que o samurai empunha a espada para deferir o corte, bem como a maneira que você emprega suas palavras. Haviam guerreiros que adotavam uma postura tradicional e executavam movimentos de corte reto, como também haviam guerreiros que executavam movimentos fora dos padrões tradicionais, mas que também cumpriam sua finalidade. O mesmo se ve hoje em dia, segundo a corrente que diz ser a palavra, o que figura a espada do samurai moderno.

Eu vejo no dia a dia, como nas circunstâncias mais comuns, ainda falta o traquejo de grande parte da pessoas que não conhecem o código, no emprego das palavra em circunstâncias simples. Bem como a poucos instantes, quando eu estava sendo atendido numa casa de cambio e o rapaz que me antendeu empregava um tom de deboche e um olhar de descaso, enquanto fingia estar me atendendo. Embora a maneira que ele estivesse se portando, fosse uma afronta a minha dignidade, não deixei que esse destrato me ferisse e me mantive formalmente coerente ao código obedecendo a quarta tradição; polidez.

Durante todo o dialogo fiz perguntas diretas, usei poucas palavras e conservei meu semblante sereno de acordo com a ordem natural, como todo movimento de corte reto que basicamente é um golpe simples e claro, mas que devido a pratica torna-se dificil de ser defendido. E conforme eu ia empregando as palavras, preservando minha postura, fui observando como ele estava sendo envolto naquela nevoa de confusão, podendo facilmente ser abatido por um golpe até que no momento final da nossa conversa, quando ele se posicionou de forma mais incisiva, testando meu poder de compra, eu então me posicionei sendo menor, obedecendo a terceira tradição; a benevolencia.

E com um corte reto, usando apenas a palavra obrigado encerrei nosso encontro, não comprando em sua loja, mas dando a ele o presente de ter conhecido alguem que jamais ele se esquecerá. Talvez nos encontremos no futuro numa outra circunstância, onde mais uma vez eu possa ser benevolo e mesmo que ele tente me ferir eu lhe mostre principios que lhe façam refletir. Espero apenas que não seja uma circunstância onde seja mais facilmente percebida por ele minha condiçao financeira, para que ele nao se sinta constrangido, não quero que o exame de sua postura nesse episódio lhe provoque esse desconforto, mas como um cliente talvez, neste mesmo ambiente, desejo que não nos encontremos mais, por uma questão de honra, para que não me seja necessário cortar sua cabeça apenas por uma questão de honra.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Como surgem os conflitos

Samurais em conflito fisico e mental

O ceu tende a subir e a agua tende, por sua natureza, a descer. O movimento dos dois componentes básicos é divergente, mostrando através da própria natureza a ideia de conflito. O conflito surge quado alguém julga estar certo mas encontra oposição sem a convicção de estar certo, a oposição conduz à astucia ou a um abuso violento, mas não conflito aberto.

Quando se esta envolvido num conflito a única salvação está numa lúcida e firme prudência, disposta a buscar conciliação indo ao encontro do oponente a meio caminho. Conduzir a luta até seu amargo fim é nefasto, mesmo quando se tem razão, porque através dessa atitude se perpetua a inimizade. É importante ir ver o grande homem, isto é, um homem imparcial cuja autoridade seja suficiente para solucionar o conflito pacificamente ou garantir uma decisão justa. Por outro lado deve-se evitar “atravessar a grande agua” em época de discordia, isto é, começar empreendimentos perigosos, pois estes só teriam sucesso caso houvesse uma união de forças. O conflito interno enfraquece, impedindo assim a vitória sobre o perigo externo.

As causas de um conflito encontram-se latentes nas tendências opostas dos dois triagamas por isso que quando essas tendências divergentes aparecem o conflito torna-se inevitavel. Assim, para que possa evita-lo, tudo deve ser cuidadosamente considerado desde o inicio. Se os direitos e deveres são definidos com precisão ou se num grupo as orientações espirituais convergem, a causa do conflito fica, de antemão, eliminada.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Um relato de Kurama Fujita

Samurais reunidos

“Não da pra esconder o mal caratismo de Sakato, é nitido, esta evidente em toda arquitetura de suas ações. Há também uma forte ligação de natureza sexual subserviente entre ele e Yoko. E também da pra ver como ela manipula a mente dele. Me parece que a ingnorante ingenuidade dele se deixa levar pelas fabula e pelos contos que docemente, Yoko, envolve e envenena a mente de Sakato.  O mais interessante disso tudo é como eles se portam perante Tetuzan, dissimuladamente amistosos, falsamente bondosos, exindo respeito por acreditarem que merecem, silenciosamente alegando o fato de serem cidadãos do império. Shitaro me disse que havia escutado eles arquitetando planos para derrubar Tetuzan e tentando seduzir Yamamoto, a diferença é que Yamamoto é fiel ao código e por mais que a ganância lhe salte os olhos, ele não consegue suportar o conflito interno de trair quem lhe estende a mão. Enquanto isso eu continuo observando seus passos, sem dizer nada a Tetuzan, que sabiamente finge não saber de nada. Mas no fundo ele sabe de tudo, conheço meu senhor. Afinal, antes de sermos samurais ele já era.” Kurama Fujita

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Dez anos nas sombras da existencia

Ryu Yoshida dominando animais na montanha

Passaram-se quase dez anos desde o dia em que Ryu Yoshida havia saido de casa e o dia em que ele retornou para seu lar. Ryu havia sido convocado para um treinamento nas monhtanhas com mais outros dois guerreiros Iori e Sayuri com a finalidade de aperfeiçoar sua coragem e sua disciplina. Havia uma série de tarefas diárias que serviam para testar a resistência destes guerreiros que iam desde percorrer longas distâncias a pé, alimentar-se apenas do que pudesse ser extraido da natureza até ter qe enfrentar animais selavagens no combate corpo a corpo.

Como de costume, os guerreiros documentavam suas viagens e segundo o que consta nos cadernos de Ryu, os primeiros meses foram duros. Eles dormiam em pessimas condições, haviam mosquitos por todos os lados, alguns dias eles nem sequer comiam, muitas vezes passavam dias molhados e seu corpo começou apresentar assaduras por toda parte, o que dificultava seu deslocamento nas trilhas.

Sayuri que detalhava mais sua experiencia, conta como no segundo e no terceiro ano os dois rapazes se fecharam em si mesmo. Eles nem sequer conversavam, comunicavam-se apenas por gestos e raros foram os momentos em que eles deram risada. E num trecho em especial ela diz: “sinto-me o tempo todo sozinha, embora esteja acompanhada e fortemente protegida. Suas bocas estão seladas, da pra ver seus maxilares imóveis e suas arcadas dentárias firmemente conectadas, pressionando-se. Não consigo saber o que eles pensam, me parece que eles se fecharam pro mundo e mergulharam no vazio. Eles nem sequer olham pra mim...”

Iori relata que em certo periodo do treinamento, mais ou menos entre o segundo e o terceiro ano, Ryu entrou num processo reflexivo muito forte e após auxilia-los nas tarefas diarias de sobrevivência, ele acomodava-se debaixo de uma arvore e passava muitas horas seguidas olhando pro nada. As vezes desciam lagrimas dos seus olhos e as vezes não. O mais interessante de tudo isso é que após esse período ele começava a escrever. Iori dizia que ele escrevia initerruptamente, paginas e paginas, parecia ter muito a dizer.

Após retornar pra casa, depois de rever sua esposa e filho, na cerimonia de reconhecimento ele pôde ler parte de sua obra e perante os demais irmãos ele disse muitas coisas, dentre elas as seguintes palavras: “Estou certo de que é necessário passar por tudo que estamos passando, sinto dores, medo, tenho dúvidas e meus pensamentos me confundem durante grande parte do dia. Passo a maior parte do tempo calado, com receio de dizer algo que atrapalhe a experiência dos meus colegas. E dedicando-me ao silêncio, aprendi o poder das palavras. Todos os dias sento-me debaixo de uma arvore e lembro-me da companhia das pessoas que eu amo. Lembro-me também dos dias em que ouvia Sayuri cantar e nesses momentos eu choro. Queria demonstrar meu carinho, conversar com meus amigos que aqui estão, mas entendo que é necessário permanecer resignado. Trata-se da mesma sensação que eu tenho quando estou de serviço e vejo uma injustiça. Meu coração se rasga por dentro, mas tenho que permanecer calado. Estou aprendendo a controlar minhas emoções, estou aprendendo a sintetizar o que tenho a dizer, estou aprendendo a perceber mais que enxergar e sobretudo aprendendo a agradecer, muito mais que reclamar.”

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

O samurai sábio se esvazia mais não se encolhe, move-se sem transbordar

Samurai num processo de esvaziar-se e nao se encolher, observe pela postura da cabeça inclinada numa clara introspecção.

O samurai sábio se esvazia mais não se encolhe, esse é o principio da sabedoria no exercício da virtude da humildade. Quem não compreende isso ainda está engatinhando no caminho. O código é um desafio, parece simples, mas é complexo justamente por conta dos desdobramentos no processo interpretativo.

Esvaziar-se significa por-se na condição de servo, a base do comportamento do samurai. É a partir dai que vem o passo seguinte: mover-se sem transbordar. Porque quando você se posiciona como servo, naturalmente você já está esvaziando-se de todos os conceitos e ideias que poderiam lhe colocar num pedestal de soberba.

É como quando um sensei, alguem que é faixa preta vai treinar com um dohai, um aluno iniciante e faixa branca. Ele cede pra poder haver aprendizado, ele se põe na condição de menor pra que haja a troca, porque ele não só esta transmitindo informação, ele também está recebendo informação.

Essa troca de informações na plataforma de humildade que é justamente o conceito de mover-se sem transbordar. Porque mesmo que o sensei receba um golpe, sofra uma finalização, ou uma queda, ele não está sendo ferido moralmente. Isso só acontece se ele se posicionar como menor. Sem precisar abstrair seu valor próprio, não, isso ele sabe. Apenas esvaziando-se sem se encolher.

O guerreiro que confunde isso sofre um conflito quando precisa ser humilde porque ao invés de se esvaziar ele se encolhe e ninguém consegue ficar curvado, interiormente, por muito tempo. O ser humano nasceu para ser liberto, essa condição de humildade é um estado de consciencia que abre a porta pra troca de informação, sem subversão da identidade do individuo. Guarde essas palavras meu caro amigo; o samurai sábio esvazia-se mas não se encolhe, move-se sem transbordar. É o código, o Bushido, back to the roots...back to the roots...

domingo, 12 de janeiro de 2020

O corte silencioso e o espelho da lamina

Samurai deferindo o corte silencioso

Alguns samurais chamam de corte silencioso, outros chamam de espelho da lamina. O nome pode diferir mas o significado é o aspecto mais intrigante desta técnica. Basicamente consiste numa habilidade de deferir um golpe, sem que seu adversário perceba a ação sendo executada. Tanto pode ser por conta da velocidade do movimento como também pelo angulo que você o realiza. No primeiro caso atribui-se o nome de corte silencioso, por se tratar de um movimento tão rapido que o oponente nem sequer flagra o ruido do golpe.

Geralmente são ataques destinados as costas da mão, porque o proposito não é ceifar a vida e sim neutralizar as possibilidades do oponente combater. Veja que se trata de uma maneira altamente complexa de vencer seu adversário, não estou falando de uma técnica simples, estou falando de uma técnica que além da vitória, lhe possibilita vencer respeitando a quinta tradição; jin; que significa compaixão e benevolência.

Takashi Oda conhecido por ser um ronin cego, comumente era ignorado quando desafiava um samurai para um duelo. Entretanto, quando combatia, vencia seus adversários usando a técnica de corte silencioso e sem precisar cortar a cabeça dos seus oponentes, abandonava-os em campo de batalha, em completo estado de perplexidade, diante do feito que ele realizara. Nenhum dos seus adversários, dos quais desconheciam sua fama, imaginavam que um homem cego fosse capaz de lhes cortar as mãos, de modo que jamais eles pudessem voltar a segurar uma espada.

O espelho da lamina, uma pequena variação do corte silencioso, se tratava também de um golpe muito veloz, mas sua principal característica era o angulo de ação do corte que se dava justamente de maneira que a vitima não enxergasse o que estava acontecendo. Geralmente acontecia quando os samurais executavam uma técnica de tai-sabaki (deslocamento), em circulo e durante a trajetória a lamina decepava os dedos do adversário. O ponto chave dessa técnica, segundo os mais experiêntes, se dava através da observação do estado de conservação da tsuba(um disco de ferro, que ficava na base da lamina e servia para proteger as mãos).

Ambas as técnicas são de alta complexidade, embasadas no compromisso moral dos samurais e de grande valor para o estudo do samurai moderno. Hoje ensino ambas as técnicas para lutadores como estratégia de raciocínio para o combate corpo a corpo. Para que eles utilizem esses conceitos durante o combate esportivo e vençam seus adversários, sem que seja necessário agir de forma cruel.